sexta-feira, 11 de maio de 2012

RELATO REFLEXIVO SOBRE O CURSO DE LEITURA E ESCRITA EM CONTEXTO DIGITAL – TURMA 50









O que o curso de Leitura e Escrita em Contexto Digital trouxe de bom, a meu ver, é a nova linguagem para se trabalhar em sala de aula e fora dela também, pois todos nós exercemos papéis sociais, em que nem sempre somos educadores, mas também conciliadores e mediadores.
Com a utilização das ferramentas que a Web 2.0 nos coloca a dispor, fica muito mais fácil ainda se difundir conhecimentos, fazer leituras, trocar informações e experiências e por que não, ensinar?
No curso que fiz no final do ano passado (internet segura, pela Proinfo) lembro-me que durante os fóruns, muitas idéias novas surgiram entre o grupo e muitas informações foram trocadas também; o tutor do grupo em que eu estava solicitou-nos que divulgássemos o blog que havíamos criado, entre os alunos e os professores, para que postássemos sempre as nossas atividades e mais que isso, que aproveitássemos desse espaço do blog e das redes sociais, até mesmo, para avaliarmos os alunos, fazendo uso de ferramentas tais como o google docs, o youtube, twitter, facebook, etc. enfim, apoderar-se de todas as TICs possíveis e ensinarmos aos alunos reconhecerem a autenticidade de tudo que procuram na internet, se há fundamento, se o que é postado nas wikipédias, possuem um fundo  verdadeiro ou não...
 Agora, neste curso que ora estamos por terminar, muitas janelas se abriram e os textos postados para refletirmos, discutirmos, criarmos crônicas, diálogos telefônicos, matérias para os mais variados periódicos e até mesmo sermos sabatinados em questões objetivas, nos proporcionaram um amplo acesso para se utilizar em sala de aula. Digo isso, porque estou fora da sala de aula já há um bom tempo (estou readaptada há 16 anos), mas por vezes fico em alguma sala aplicando alguma atividade para os meus colegas e percebo então, as dificuldades que eles encontram para trabalhar com os recursos tecnológicos, com as ferramentas da web e, como eles permanecem resistentes em se atualizarem e em se aperfeiçoarem na sua área de conhecimento, alegando que não têm tempo para isso, que estão muito cansados, que os alunos não querem nada com nada, etc...; ainda assim, vejo o lado bom disso tudo, pois eu comentei e comento diariamente com alguns colegas na escola e fora dela também, as informações que trocamos, relatos que temos postados e até mesmo as atividades desenvolvidas, como foi o caso do interrogatório, da notícia para as diferentes classes sociais, o diálogo pelo telefone, a criação do blog, a dificuldade que foi se superando pouco a pouco, para cada um de nós, o correio, o fórum de blogs, etc...  - tudo isso foi e está sendo muito positivo!
O texto sobre o milagre brasileiro, me fez voltar ao tempo de aluna do ensino fundamental e médio, começo de faculdade... porque eu vivi aquela época e lembro-me bem do que os professores mais “politizados” falavam e pediam para que não comentássemos com ninguém fora da aula; quanto ao texto, claro que se o aluno não tiver conhecimento dos fatos ocorridos naquela época, como as coisas eram realmente, não irá entender nada, mas como foi sugerida a pesquisa, veja então, quantas oportunidades têm-se hoje em relação àquela época, pois numa simples pesquisa pela web, podemos encontrar os mais diversificados trabalhos e textos publicados, até mesmo com fotos, coisas que naquela época nos era proibido comentar e o que se dizer então, em torná-las pública?
 Hoje, qualquer fato que acontece, num estalo de dedos, o mundo inteiro fica sabendo. Que maravilha! O professor não precisa mais ficar perdendo um tempo enorme para pesquisar e comentar com os alunos, basta apenas fazer uso dos recursos tecnológicos juntamente com a classe!
  Vejo ainda, a ansiedade que este curso tem provocado em mim e nas minhas amigas da mesma escola que trabalho (e que também estão fazendo este curso), no que se refere à entrega (postagem) dos relatórios, atividades, fóruns e até mesmo quanto às avaliações (nota que tiramos) em cada atividade...
 Voltamos a ser alunas e comentamos entre nós, que os alunos, realmente têm razão de se entediarem com as aulas que estão tendo, pois se tornam chatas, quando há tantos recursos disponíveis para se trabalhar e se explorar e que as nossas aulas (neste curso) estão ótimas e nos mostram justamente isso...
Esse curso está sendo muito proveitoso, porque eu me entusiasmei muito e consegui até mesmo, provocar alguns colegas que agora estão se lamentando de não terem se inscrito para fazê-lo também, porque achavam que se tratava apenas de mais um curso chato, ainda mais pelo tema: - ”Ah!... Leitura...” - e não imaginavam que seria tão legal assim...
E tem mais: - eu até criei  um blog para a sala de leitura da minha escola, depois disso, por causa dessa empolgação que tive e por insistência das minhas colegas que são responsáveis pela sala e agora, elas estão adorando curtir o blog; repassei o link do blog da sala de leitura e do meu blog também, é claro, para o pessoal da UE e alguns já estão interessados em postar matérias nele.
 Por isso então que eu volto a dizer, veja o quanto é produtivo e bom uma difusão de conhecimentos através dos recursos que as TICs, a web e um curso em rede, como o nosso promovem. Mas, para que isso ocorra de forma produtiva, é importante que o professor tenha em mente o quanto a leitura é importante em nossas vidas, o quanto é saudável e benéfico ler, pois através dela  podemos nos empreender na maior viagem, desde que tenhamos entendimento das entrelinhas que o texto quer nos dizer. A leitura e a escrita são atos mecânicos que podem ganhar vida através da interpretação que se coloca a ela. Muitas coisas se criaram e beneficiaram o ser humano e o nosso planeta, através de um simples esboço num papel e ganharam vida através da concretização de um sonho ou de um projeto. Por meio das letras nos comunicamos com o mundo pelo espaço e tempo, nas mais diversificadas línguas como acontece com as mais variadas literaturas (livros, revistas, jornais, impressos, etc. e que são traduzidos) e que atravessam os oceanos e difundem a idéia de quem as escreveu. E o que dizer então no contexto digital, onde essa difusão é instantânea, pois a partir do momento que postamos uma idéia, um pensamento ou um texto, o mundo todo pode saber ao mesmo tempo o que imaginamos ou escrevemos.
 Nosso papel de professor nos dá capacidade para prepararmos uma mente através do ensino-aprendizagem, da alfabetização e do letramento.  Então, temos que ser cuidadosos e zelosos pelo que expomos em nossas aulas, pelas idéias que colocamos e a forma como difundimos, porque somos os espelhos daquilo que formamos. Passar um conhecimento ao aluno é fácil, mas obtermos dele o entendimento e a compreensão do que queremos ou esperamos alcançar, depende da forma como o fazemos e despertar o gosto pela leitura e ensinar a interpretar o que se lê é a ferramenta mais árdua que temos pela frente, pois primeiramente, temos que despertar em nós mesmos esse gosto, seja ela no contexto digital ou não, para depois então podermos cobrá-la. A frase de Ziraldo - "Ler é melhor que estudar", é correta nos dias de hoje e nos mostra que é precisamos estar sempre envolvidos com essa prática.
 A criação do blog é uma ferramenta que pode auxiliar muito no dia a dia, na escola, pois em se tratando de envolver a tecnologia como instrumento de aprendizagem, questionamento, avaliação e debate, pode também estimular e despertar o interesse por ler e escrever e para desenvolver ou despertar esse prazer, que muitas vezes, pode estar dormente em cada um, basta apenas dar uma clicada.
 Eu adorei a idéia de produzir textos, de ler e comentar o que cada um produziu, de elaborar o blog e de intercambiar com o grupo através dos fóruns. Acredito que ainda há um longo caminho a se percorrer dentro desse processo, mas que vale a pena se investir no professor através de um estímulo para descobrir o prazer que a leitura e a escrita, nos mais variados gêneros textuais podem provocar. Muito obrigada pela maravilhosa oportunidade que me propiciaram de participar deste curso e conhecer, mesmo que na forma de internauta, pessoas maravilhosas como as que estão conosco nesta turma 50.



quarta-feira, 9 de maio de 2012

Relato Reflexivo


A imagem diz tudo...

Leitura e Escrita em Contexto Digital


         Ser professor exige de todos nós muita dedicação, esforço e aperfeiçoamento. Não seria possível ensinar algo sem atualização porque tudo se transforma com o tempo. O tempo deve ser nosso amigo, tem que ser nosso aliado nessa corrida constante do ensinar/aprender e, para isso, devemos reciclar sempre. Essa visão sempre tive, acredito que crescer só é possível se acompanharmos a evolução dos tempos e a tecnologia inovadora que invade nossas vidaa atodo instante e de todas as maneiras. Na escola fica impossível não lidar com essa evolução, precisamos acompanhar o crescimento tecnológico e nos adaptar a ele. Quem ainda não experimentou evoluir, por favor, acorde!!!!!
        Toda vivência que tive ao construir novas práticas nesse curso contribuíram muito para que eu conseguisse adquirir maiores conhecimentos teóricos e práticos encontrados no contexto digital. Todos os conteúdos estudados nesse curso me proporcionaram conhecer e também aperfeiçoar conceitos que necessito utilizar em minha prática pedagógica. Além disso, tive ainda a feliz oportunidade de rever minha história relacionada à aprendizagem e relembrar a importância que minha família teve para que eu pudesse aprender e ser aplicada em meus estudos. Foi ótimo. Pude também interagir com pessoas interessantes, que se empenham em sua carreira e buscam sempre o mais alto profissionalismo dentro do magistério. Poder interagir com pessoas assim, interessadas pela educação, com o propósito de crescer e produzir sempre, foi motivante durante as participações nos fóruns e na criação do blog do grupo. Refletir, discutir, interagir, opinar, construir e analisar  foram verbos que conjugamos constantemente enquanto cursistas. Na atualidade, para colhermos frutos em nossa prática pedagógica, esse é o conjunto de atitudes que devemos ter diante de nossos alunos. Quem ainda não o fez, que o faça. Será produtivo como nunca imaginou. O segredo não está meramente na produção textual, seja ela tradicional ou digital, está em como produzir, porque produzir, em como interpretar e o que se pode concluir após qualquer estudo que se faz. Eu só tenho a agradecer mais uma oportunidade de aprendizado em minha vida profissional. Ler e interpretar da melhor forma possível tudo o que a vida oferecer........ sempre!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012


LER É IMPORTANTE. MAS O MAIS IMPORTANTE AINDA, É COMPREENDER O QUE SE LÊ...
"A maior aventura de um ser humano é viajar e a maior viagem que alguém pode empreender é para dentro de si mesmo. E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro, pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros. Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas e descobrir o que as palavras disseram.  No fundo, o leitor é o autor da sua história.". 


ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSA FALA DO AUGUSTO CURY, NA INTRODUÇÃO DO LIVRO "O FUTURO DA HUMANIDADE", POIS  MUITAS PESSOAS AINDA FAZEM DA LEITURA UM ATO MECÂNICO, ISTO É, NÃO CONSEGUEM LER NAS ENTRELINHAS O QUE O AUTOR PROCUROU DIZER, DEIXANDO COM ISSO DE  VIVENCIAR  A MAIOR AVENTURA QUE SOMENTE UMA BOA LEITURA PODE  NOS PROPORCIONAR ! 

sábado, 5 de maio de 2012




RECEBI ESSA MENSAGEM E ACHEI INTERESSANTE POSTÁ-LA. DESCONHEÇO O AUTOR.




E Deus criou o professor...


         Conta a lenda que, quando Deus liberou o conhecimento sobre como ensinar os homens, determinou que aquele "saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de sábios. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semi-deuses", alguém traiu as determinações divinas...



         Aí aconteceu o pior!!!!!!........



         Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:

 - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.
 - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.
4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais terás úlcera.
 - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box.
 - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.
 - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho;
 - Dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás.
 - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.
10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: as que ensinam e as que não entendem. E verás graça nisso.
11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.
12º - Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.
13º - Terás sonhos, com cronograma, planejamento, provas, fichas de alunos, provas substitutivas e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.
14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.
15º - E, o pior........ inexplicavelmente gostarás de tudo isso...
E finalizando, deixo a nossa oração:
ORAÇÃO DO PROFESSOR

Planejamento que estais no computador
Carregado seja o Vosso Programa
Venha a nós o vosso ensinamento
Seja gerada a ficha de lançamento
Assim no Diário como no e-mail
A contrapartida nossa de cada dia nos dai hoje, Perdoai os nossos deslizes
Assim como nós perdoamos quando há deslizes
Não nos deixeis cair em Auditoria
E livrai-nos da Fiscalização da direção
Amém.


 


sexta-feira, 4 de maio de 2012

 LEITURA...



  Leitura: Essência da Sabedoria

A leitura nos faz viajar
Por lugares nunca vistos,
Por terras desconhecidas,
Por lugares tão bonitos
Que transforma nossas mentes,
Deixando-nos mais eruditos.

A leitura faz a gente
Se sentir mais importante.
A leitura é coisa fina,
A leitura é diamante
Que lapida a nossa mente,
E nos transformando em gigante.

A leitura é um prazer
Que encanta e que transforma.
O ser humano que ler
Vira contador de história,
Fica mais inteligente
E muito mais cheio de glória.

A leitura é uma viagem
Por mundos que não vivemos,
Por lugares reais ou fictícios
Os quais nós descobriremos.
Essência da sabedoria,
Com ela nós aprendemos.

Sem leitura o ser humano
É chamado analfabeto.
Não consegue entender nada,
Nem o que lhe está mais perto.
Por isso, meu caro amigo,
Leia mais! Seja esperto!


de Carlos Soares
Cupira - PE - por correio eletrônico



Leitura

A leitura é o veiculo possante
Que tem sempre as portas bem abertas
Leva o sábio a grandes descobertas
Deixa sábio o pior ignorante

Gentilmente conduz o curioso
Por estradas sem pedras ou torrão
Prosa ou verso, soneto ou redação
Faz do fraco guerreiro valoroso

Mesmo tendo uma forte propulsão
O seu tanque precisa abastecer
Mas não tem no mercado pra comprar

Pra você ingressar neste avião
Duas coisas terá que oferecer
Interesse e total dedicação




quarta-feira, 2 de maio de 2012










ATIVIDADE 2 – MÓDULO 3
ELEMENTOS CONSTITUINTES DE GÊNERO DE TEXTO  INTERROGATÓRIO à SUAS PARTICULARIDADES(CONTEÚDO TEMÁTICO, FORMA COMPOSICIONAL E ESTILO)

TIPO DE RELATO

TIPO DE LINGUAGEM

PESSOA DO RELATO

TIPOS DE PALAVRAS CARACTERÍSTICAS DO RELATO

INTERROGATÓRIOà

Relato de fatos na ordem em que ocorreram com descrição objetiva e minuciosa dos detalhes que cercam o ocorrido.

Uso misturado de uma linguagem mais formal com uma linguagem mais coloquial.










Relato em primeira pessoa

Presença de palavras que indicam precisão, tais como números, nomes e endereços completos.


Baseando-se neste contexto, abaixo estão os relatórios de interrogatório de cada uma das participantes do grupo 3, conforme segue:
Por Jurema:

Atividade 2 – Interrogatório

Delegado – Bom dia, Senhora. Precisamos fazer algumas perguntas sobre o fato ocorrido hoje pela manhã em seu prédio.
Silvia – Pois não.
Delegado – Em primeiro lugar é necessário qualificá-la como testemunha.
Silvia – Por quê qualificar? Não presenciei nada, apenas encontrei o homem caído em frente a minha porta.
Delegado – Entenda, senhora, esse é um procedimento de praxe: recebemos um chamado de seu apartamento e até o presente momento não temos identificação do corpo e nem uma outra testemunha. Por favor, nome completo, idade e RG.
Silvia – Jurema Silvia de Souza Alves, 32 anos, RG 01.000.000-1.
Delegado – Poderia citar seu endereço completo e o tempo que reside nesse local?
Silvia – Resido há cerca de oito anos na Av. Rio Claro, 1010, 5º andar, apto 503, Centro, São Paulo.
Delegado – Profissão e local de trabalho.
Silvia – Professora. Atualmente trabalho na Escola Estadual Maria Antonia Severo.
Delegado – Houve um chamado de seu apartamento para a delegacia denunciando a presença de um cadáver em frente ao seu apartamento. Quem fez a ligação?
Silvia – Eu mesma liguei. Fiquei apavorada e não sabia a quem recorrer, pois não vi mais ninguém no corredor.
Delegado – Há que horas foi essa ligação e quanto tempo depois de encontrar o corpo tomou essa iniciativa?
Silvia – Bem, não sei ao certo. A julgar pela hora que me levantei e tendo em vista que foi logo em seguida que ouvi a campainha, penso que devo ter ligado por volta das 7h10min, imediatamente após ter percebido que o homem estava sem vida.
Delegado – A senhora disse ter ouvido a campainha? Então havia mais alguém?
Silvia – Se havia mais alguém, eu não vi. Sei que ao ouvir a campainha sai para atender e me deparei com o corpo caído na soleira da minha porta. Fiquei com medo, mas quando percebi o corpo imóvel, toquei nele e senti que estava frio e rígido. Não poderia ter sido ele a tocar a campainha. Fechei a porta correndo e a primeira coisa que me veio à mente foi acionar a polícia. Não pensei em ficar procurando ninguém.
Delegado – Quanto tempo a Senhora estima que levou do momento que ouviu a campainha até abrir a porta?
Silvia – Penso que não chegou a 1 minuto. Foi o tempo de secar o rosto e caminhar até a porta.
Delegado – Lembra-se de ter ouvido algum barulho antes do toque da campainha?
Silvia – Não, não que tenha prestado atenção. Sempre faço tudo muito rápido de manhã e costumo deixar a televisão ligada para ir ouvindo as notícias.
Delegado – Entendo. A Senhora conhece a vítima?
Silvia – Não, não tenho a menor idéia de quem seja.
Delegado – Lembra-se de já tê-lo visto no prédio?
Silvia – Não. Costumo encontrar diferentes pessoas no elevador, nos corredores e no hall de entrada. Mas a imagem desse homem não é familiar.
Delegado – A Senhora conhece as pessoas que moram em seu andar?
Silvia – São apenas quatro apartamentos por andar. Os outros três também são ocupados por pessoas que moram sozinhas e trabalham o tempo todo. Dificilmente nos comunicamos, a não ser quando nos deparamos ao sair ou chegar. Mas sei que um dos moradores é bem recente: deve ter se mudado há uns seis meses.
Delegado – Costuma perceber alguma movimentação estranha em algum dos apartamentos?
Silvia – Sinceramente, nunca presto atenção. Às vezes, nos finais de semana, é comum alguma movimentação maior, pois devem receber visitas, o que é aparentemente normal. 
Delegado – Especificamente na noite passada, a que horas chegou em casa? Percebeu algum sinal de festa ou movimentação estranha?
Silvia – Por volta das 20 horas. Não notei nada diferente.
Delegado – Algo mais que a Senhora gostaria de acrescentar?
Silvia – Não, nada mais.
Delegado – Então, por hora, agradecemos sua contribuição. Talvez seja necessário ouvi-la novamente, mas a avisaremos se for o caso. Tenha um bom dia.
Silvia – Bom dia.


-0-0-0-0-0-0-

 Por Mônica:

Numa manhã de outono, após acordar e iniciar seu ritual de preparação para mais um dia de muito trabalho e compromissos, Augusta foi interrompida pelo toque da campainha, enxugou rapidamente seu rosto e, correndo, foi atender a porta. Nem imaginava que estava tendo início uma manhã tumultuada como nunca antes tinha vivido e, num piscar de olhos, se viu diante de um delegado de polícia tendo que responder a uma série de perguntas...
     Sexta-feira, 20 de abril de 2012, 8 horas da manhã. Augusta Pereira, funcionária de uma loja de departamentos, 46 anos, residente a rua Getúlio Vargas nº 100.
     Distrito Policial da cidade de Paraibuna. Tem início um confuso interrogatório:
     Delegado: Senhora Augusta, bom dia. Estamos diante de uma situação inusitada em nossa pacata cidade e precisamos de esclarecimentos. O que a senhora  tem a relatar sobre o cadáver encontrado em sua porta pela manhã de hoje?
     Augusta: Senhor Delegado. Estava eu em minha residência e, quando abri a porta,  deparei-me com um corpo e é só.
     Delegado: Isso eu já sei. A senhora necessita melhor relatar os fatos, afinal não é todo dia que encontramos em nossa porta um cadáver. Além de identificarmos o corpo, precisamos conhecer o autor do crime? Já lhe passou pela cabeça que podemos pensar que a senhora tem algo relacionado a isso tudo?
     Augusta: Pelo amor de Deus delegado, eu jamais seria capaz de matar alguém! Eu o encontrei em minha porta pela manhã e ainda toquei no homem achando que teria sido ele quem apertou minha campainha! Pensei que estivesse passando mal, desmaiado, sei lá! Acordei preocupada com os mil compromissos do meu dia e agora tenho que ficar aqui, não imagino até que horas, dando conta da vida desse defunto! É o fim!
     Delegado: Preste atenção minha senhora: diante dos fatos, fique preocupada somente em nos esclarecer o que sabe. Sente-se nesta cadeira e inicie seu depoimento, caso contrário não irá tão cedo dar conta de cumprir com seus compromissos! Colabore com a investigação e relate o que sabe sobre o acontecido!
     Augusta: Está bem....Acordei, como de costume bem cedo, iniciei minha higiene matinal e fui atender a porta porque alguém tocou a campainha. Foi quando vi um homem caído. Chamei por ele e não respondeu. Olhei ao redor para tentar encontrar alguém que o acompanhasse e nada vi. Por isso achei melhor tocá-lo para tentar saber o que queria e senti que estava frio, sem vida.  Assustei-me e corri para dentro. Telefonei para a polícia e, desesperada, disse que tinha um cadáver na minha porta. Após uma eternidade, chegou a viatura e agora estou  aqui.
     Delegado: Muito bem senhora Augusta, conseguimos evoluir. Agora me responda: Conhece esse homem? Sabe de quem se trata? Por que estava em sua porta?
     Augusta: Nunca o vi delegado! Longe de mim! Por acaso o Senhor suspeita que tenho alguma coisa com esse homem?
     Delegado: Quando se tem um cadáver, uma testemunha impaciente e pouco a se dizer sobre o ocorrido, qualquer pessoa pode ser suspeita, não acha?
     Augusta: Eu estou impaciente pelo fato de ter um dia atípico e muito o que fazer, só isso! Declaro não conhecê-lo e pode acreditar que o que digo é a mais pura verdade. Perdoe-me delegado. Nunca vivi situação tão difícil. Pode contar comigo para o que precisar. Estou me acalmando e começo a  pensar que, além de alguém ter perdido a vida, há familiares que receberão uma notícia desagradável no dia de hoje. Não gostaria que tal tragédia acontecesse comigo.
     Delegado: Pois bem, pelo que já temos conhecimento, o homem encontrado em sua porta chama-se Raimundo de Souza e possuía em um de seus bolsos uma foto da senhora.Tem algo a nos dizer agora?
     Augusta: Meu Deus! Como uma pessoa que nunca vi antes estaria com uma foto minha? Só pode estar havendo um engano!
     Delegado: Tomara mesmo que seja um engano, caso contrário a senhora perderá muitos outros dias cheios de compromissos para que nossa investigação seja finalizada com sucesso.
     Augusta: Posso ver a foto delegado?
     Delegado: Claro que sim. Está aqui. E então?
     Augusta: Senhor....mas esta não sou eu! A pessoa da foto é morena, magra e usa aparelhos nos dentes. Olha só o sorriso dela! É evidente que não sou eu!
     Delegado: Senhora Augusta: esta foto deve ter uns 15 anos. Após uma determinada idade, a maioria das mulheres engordam, ficam loiras e o aparelho ortodôntico todo mundo sabe que não é utilizado por toda a vida. Estamos investigando e a senhora não deve ausentar-se da cidade enquanto não forem esclarecidos os fatos. Caso não se dê por satisfeita, posso detê-la e passará uns bons dias em uma das celas desta Delegacia. Algo mais a dizer?
     Augusta: Só posso dizer que ser chamada de gorda é demais!
 


-0-0-0-0-0-0-




Por Maria Antonia:

INTERROGATÓRIO SOBRE O CASO DA AVENIDA ATLÂNTIDA – ZONA SUL /SP

O fato ocorreu na madrugada de 22 de abril de 2012, no Edifício São Gotardo, localizado na Avenida Atlântida, nº 512 – 17º andar – aptº 171, no bairro de São Félix, zona Sul de São Paulo.
Conforme relato do morador do apartamento citado acima, o médico Sandro Apolinário ,    após um plantão intenso  no feriado de 21 de abril, no PS do HC e em mais dois hospitais da rede pública de São Paulo,  acordou atrasado para mais um dia de trabalho. Entre  a correria de preparar o café e fazer a barba,  ouviu o toque da campainha e  correu para atender a porta, pensando se tratar de uma emergência. Quando abriu a porta, percebeu um vulto que correu para a escada e a sua frente,  estava uma mulher loira, com vestido vermelho e sapatos de salto, deitada de bruços. Ele abaixou-se para ver se estava tudo bem e ao tocar no corpo da mulher, percebeu que ela estava gelada. Ele tentou então, ouvir os batimentos cardíacos, mas percebeu que já era tarde, pois a mesma estava morta. Nesse momento ele ouviu alguém  bater a porta.  Calmamente então, ele entrou em seu apartamento e resolveu chamar a polícia. Ligou para o 190 e ficou por cerca de 10 minutos aguardando ser atendido e foi orientado para chamar o Samu através do 192, mas ele informou que já era tarde, pois a mulher estava morta. O investigador Sampaio  e o delegado Plínio do 43º  DP, que estão cuidando do caso, começaram na manhã de hoje, o interrogatório que assim se sucede:
 -Delegado: Dr. Sandro, a que horas o fato ocorreu?
- Sandro: Bem delegado, eu estava atrasado para o plantão, depois de um final de semana de muito trabalho e, como de costume todas as manhãs, após colocar o café para ser feito em minha cafeteira, enquanto faço a barba e tomo meu banho, apanho o jornal deixado em minha porta e com uma rápida leitura das notícias durante o café, dou uma pequena relaxada.   Porém, ontem à noite, quando cheguei, avisei para o porteiro que deixasse na portaria o meu jornal e, diante desse fato, achei estranho a campainha ser tocada logo de manhã. Então pensei que fosse meu vizinho que precisasse de ajuda e corri para atender a porta.
- Delegado: Mas, o seu vizinho está doente?
- Sandro: Que eu saiba não? Mas o senhor sabe, né... um velho que mora sozinho e sempre têm visitas de mulheres  diferentes em seu apartamento, principalmente em feriados e finais de semana... é um entra e sai constante... Nunca se sabe, não é???
-Delegado: Então o Senhor acha que quem matou a mulher foi o seu vizinho???
-Sandro: Eu não acho nada, senhor delegado! O fato é que no apartamento dele sempre há uma movimentação de pessoas que não moram no prédio... Rola até umas “festinhas” de madrugada, mas nunca participei de nenhuma delas não senhor.
-Delegado: Então estava tendo uma festa no apartamento ao lado?
- Sandro: Não, eu não disse isso! Eu disse que ouvi o barulho da campainha e achei estranho, por isso fui atender. Só isso!
- Delegado: Mas o senhor disse que o vizinho costuma dar festinhas? O senhor não viu mais ninguém estranho circulando por ali na hora que tocaram a campainha?
- Sandro: Vi um vulto de um homem que correu para as escadas, mas como pensei que se tratasse de um ladrão, olhei para o outro lado e então vi o  corpo da mulher estendido no chão.
- Delegado:  E ninguém mais apareceu? O Senhor não ouviu nenhum outro barulho?
- Sandro: Ah! Ia me esquecendo... eu percebi que na hora em que me abaixei para socorrer a mulher, alguém bateu a porta para fechá-la com força.
- Delegado: Então o senhor confessa que tinha mais alguém no corredor? Não é mesmo?
- Sandro: Eu não disse isso. Eu ouvi o barulho de uma porta se fechando mas, não vi ninguém, não posso afirmar nada.
- Delegado: O senhor não acha que está muito calmo para um caso desses, Doutor?
- Sandro: Delegado, eu estou acostumado a ver casos muito mais bizarros no PS dos hospitais que eu atendo, por isso o senhor acha que eu estaria nervoso, por qual motivo? Eu não tenho nada a ver com isso! Nem conheço a vítima! Nem falo com meu vizinho!!!!
- Delegado: Mas o senhor disse que viu alguém no corredor? Não foi?
- Sandro:  Vi o vulto de alguém que estava correndo assustado talvez? Ouvi o barulho de uma porta que se fechou  bruscamente... mas, nem por isso  eu iria deixar de atender os fatos, já que pelo que constatei, a mulher sofreu uma parada cardíaca e não teve tempo de ser socorrida, por isso foi abandonada ali no corredor, em frente a minha porta.
- Delegado: E como o senhor sabe que a vítima sofreu uma parada cardíaca, se ela estava deitada de bruços enfrente ao seu apartamento?
- Sandro: Delegado, eu sou médico de PS e estou acostumado a ver pessoas que sofrem parada cardíaca. É elementar, basta o senhor olhar para as unhas e para os lábios dela e verá que estão cianóticos, isso denota uma morte súbita por parada cardíaca.
- Delegado: Eu julgava que ela estivesse com a boca e as unhas pintadas, porque hoje em dia as mulheres usam maquiagem de todas as cores... , principalmente as loiras que gostam de maquiagens inovadoras! Então não é pintura? Não é esmalte azul???
- Sandro: Delegado, eu não entendo de maquiagem! Agora, posso ir para casa  terminar de fazer a barba, tomar o meu banho e fazer o meu desjejum, acompanhado da leitura do meu jornal? Estou dispensado?
-  Delegado: Só mais uma coisinha Doutor: O senhor atende pelo convênio do Iamspe? Sabe, eu preciso fazer um chek up, pois como o senhor sabe né, essa vida corrida, trabalhando muitas horas, até de madrugada, nunca se sabe o que vai acontecer, não é mesmo? Ainda mais, que nas clínicas conveniadas existe um número de cotas para ser atendido, sabe?
- Sandro: Passa lá no P S do HC que eu vejo um jeitinho de encaixar o Senhor para uma consultinha, porque o Servidor está em greve e eu não sei quando vão voltar ao normal e nas clínicas conveniadas... pagam muito pouco , por isso eu não estou atendendo mais.

ATIVIDADE 2 – MÓDULO 3
PRODUZINDO TEXTOS PERTENCENTES À GÊNEROS DE DIFERENTES  ESFERAS
Foi solicitado ao grupo que se imaginasse a inusitada sequência de eventos, conforme se segue abaixo, tal como se ela tivesse acontecido com alguém logo ao acordar.
Sequência de eventos retirada de LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. p. 21-22 .
.

Baseando-se nessa sequência de eventos, foi solicitado ao grupo 3, que é composto por: Jurema, Mônica e Maria Antonia, para que cada uma escrevesse um texto  em forma de um interrogatório (que supostamente aconteceu horas depois dos eventos enumerados e é presidido pelo delegado junto a pessoa que encontrou o cadáver).

Em seguida, foi solicitado a cada participante do curso de leitura e escrita no contexto digital – turma 50, que enviasse o seu texto ao fórum do grupo, onde cada um deveria opinar sobre o conteúdo tecido em cima do gênero exigido para esta atividade; após os comentários, cada participante teria que postar seu texto no blog construído em equipe. Portanto, estamos colocando para apreciação e avaliação, o  que nos foi exigido como participação dentro dessa atividade 2 – Módulo 3.

Letramento definido num poema...

     Uma estudante norte-americana de origem asiática, Kate M. Chong, ao escrever sua história pessoal de letramento, define-o em um poema:


     O que é Letramento?


Letramento não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é um treinamento repetitivo
de uma habilidade
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.
Letramento é diversão, 
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.
São notícias sobre o presidente,
o tempo, os artistas de TV
e mesmo Mônica e Cebolinha
nos jornais de domingo.
É uma receita de biscoito,
uma lista de compras, recados colados na geladeira, 
um bilhete de amor,
telegrama de parabéns e cartas
de velhos amigos.
É viajar para países desconhecidos,
sem deixar sua cama,
é rir e chorar
com personagens, heróis e grandes amigos.
É um atlas do mundo,
sinais de trânsito, caças ao tesouro,
manuais, instruções, guias
e orientações em bulas de remédios
para que você não fique perdido.
Letramento é, sobretudo,
um mapa do coração do homem,
um mapa de quem você é
e de tudo que você pode ser.



terça-feira, 1 de maio de 2012





O prazer da leitura



Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem de “alfabeto“. “Alfabeto“ é o conjunto das letras de uma língua, colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que “abecedário“. A palavra “alfabeto“ é formada com as duas primeiras letras do alfabeto grego: “alfa“ e “beta“. E “abecedário“, com a junção das quatro primeiras letras do nosso alfabeto: “a“, “b“, “c“ e “d“. Assim sendo, pensei a possibilidade engraçada de que “abecedarizar“, palavra inexistente, pudesse ser sinônima de “alfabetizar“...


“Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendo-se as letras do alfabeto. Primeiro as letras. Depois, juntando-se as letras, as sílabas. Depois, juntando-se as sílabas, aparecem as palavras...


E assim era. Lembro-me da criançada repetindo em coro, sob a regência da professora: “be a ba; be e be; be i bi; be o bo; be u bu“... Estou olhando para um cartão postal, miniatura de um dos cartazes que antigamente se usavam como tema de redação: uma menina cacheada, deitada de bruços sobre um divã, queixo apoiado na mão, tendo à sua frente um livro aberto onde se vê “fa“, “fe“, “fi“, “fo“, “fu“... (Centro de Referência do Professor, Centro de Memória, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, MG.)


Se é assim que se ensina a ler, ensinando as letras, imagino que o ensino da música deveria se chamar “dorremizar“: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas e a música aparece! Posso imaginar, então, uma aula de iniciação musical em que os alunos ficassem repetindo as notas, sob a regência da professora, na esperança de que, da repetição das notas, a música aparecesse...


Todo mundo sabe que não é assim que se ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando uma canção de ninar. E o nenezinho entende a canção. O que o nenezinho ouve é a música, e não cada nota, separadamente! E a evidência da sua compreensão está no fato de que ele se tranquiliza e dorme – mesmo nada sabendo sobre notas! Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas: minha mãe as tocava ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes.


Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. “Erotizada“ – sim, erotizada! – pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo.


No primeiro momento as delícias do texto se encontram na fala do professor. Usando uma sugestão de Melanie Klein, o professor, no ato de ler para os seus alunos, é o “seio bom“, o mediador que liga o aluno ao prazer do texto. Confesso nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não eram aulas. Eram concertos. A professor lia, interpretava o texto, e nós ouvíamos extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa de leitura – experiência vagabunda! – e a experiência de ler a fim de responder questionários de interpretação e compreensão. Era sempre uma tristeza quando a professora fechava o livro...


Vejo, assim, a cena original: a mãe ou o pai, livro aberto, lendo para o filho... Essa experiência é o aperitivo que ficará para sempre guardado na memória afetiva da criança. Na ausência da mãe ou do pai a criança olhará para o livro com desejo e inveja. Desejo, porque ela quer experimentar as delícias que estão contidas nas palavras. E inveja, porque ela gostaria de ter o saber do pai e da mãe: eles são aqueles que têm a chave que abre as portas daquele mundo maravilhoso! Roland Barthes faz uso de uma linda metáfora poética para descrever o que ele desejava fazer, como professor: maternagem: continuar a fazer aquilo que a mãe faz. É isso mesmo: na escola, o professor deverá continuar o processo de leitura afetuosa. Ele lê: a criança ouve, extasiada! Seduzida, ela pedirá: “Por favor, me ensine! Eu quero poder entrar no livro por conta própria...“


Toda aprendizagem começa com um pedido. Se não houver o pedido, a aprendizagem não acontecerá. Há aquele velho ditado: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer a égua a beber“. Traduzido pela Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo. Quero é fome“. Metáfora para o professor: cozinheiro, Babette, que serve o aperitivo para que a criança tenha fome e deseje comer o texto...


Onde se encontra o prazer do texto? Onde se encontra o seu poder de seduzir? Tive a resposta para essa questão acidentalmente, sem que a tivesse procurado. Ele me disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e citou a primeira frase. Fiquei feliz porque eu também amava aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema – aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois elementos: as palavras, com o seu significado. E a música... Percebi, então, que todo texto literário se assemelha à música. Uma sonata de Mozart, por exemplo. A sua “letra“ está gravada no papel: as notas. Mas assim, escrita no papel, a sonata não existe como experiência estética. Está morta. É preciso que um intérprete dê vida às notas mortas. Martha Argerich, pianista suprema (sua interpretação do concerto n. 3 de Rachmaninoff me convenceu da superioridade das mulheres...) as toca: seus dedos deslizam leves, rápidos, vigorosos, vagarosos, suaves, nenhum deslize, nenhum tropeção: estamos possuídos pela beleza. A mesma partitura, as mesmas notas, nas mãos de um pianeiro: o toque é duro, sem leveza, tropeções, hesitações, esbarros, erros: é o horror, o desejo que o fim chegue logo.


Todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se ele luta com as palavras, se ele não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê. Por isso eu acho que deveria ser estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de leitura“. Se há concertos de música erudita, jazz e MPB – por que não concertos de leitura? Ouvindo, os alunos experimentarão os prazeres do ler. E acontecerá com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível esquecer. Leitura é droga perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler, a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre os textos - gramática, usos da partícula “se“, dígrafos, encontros consonantais, análise sintática –que não houve tempo para serem iniciados na única coisa que importa: a beleza musical do texto literário: foi-lhes ensinada a anatomia morta do texto e não a sua erótica viva. Ler é fazer amor com as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler elas já são sensíveis à beleza. E a missão do professor? Mestre do kama-sutra da leitura...




APERITIVOS


1. “Analfabeta não é a pessoa que não sabe ler. É a pessoa que, sabendo ler, não gosta de ler.“ (Quem foi que disse isso? Acho que foi o Mário Quintana).


2. A menininha de 9 anos me explicou como as crianças na sua escola aprendiam a ler: “Aqui na Escola da Ponte não aprendemos letras e silabas. Só aprendemos totalidades...“


3. Os compositores colocam em suas partituras indicações para orientar o intérprete: lento, presto, adagio, alegretto, forte, piano, ralentando. Os escritores deveriam fazer o mesmo com seus textos. Há textos que devem ser lidos lentamente, expressivamente, tristemente. Outros que exigem leveza, rapidez, riso. O leitor experiente não precisa dessas indicações. Mas elas poderiam ajudar os principiantes.


4. “Mais valem dois marimbondos voando que um na mão“ (Almanak do Aluá).


5. Graciliano Ramos relata que, quando menino, na escola lhe ensinaram um ditado: “Fale pouco e bem e ter-te-ão por alguém“. Ele repetia o ditado mas ficava com uma dúvida: “Quem será esse ‘Tertião’?“


(Correio Popular, Caderno C, 19/07/2001.)


A CASA DE RUBEM ALVES

http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm


 

 ACHEI MUITO LINDO E INTERESSANTE ESTE TEXTO. SOU FÃ E ESTOU SEMPRE VISITANDO "A CASA DE RUBEM ALVES". VALE A PENA CONFERIR.