INTERROGATÓRIO SOBRE
O CASO DA AVENIDA ATLÂNTIDA – ZONA SUL /SP
O fato ocorreu
na madrugada de 22 de abril de 2012, no Edifício São Gotardo, localizado na
Avenida Atlântida, nº 512 – 17º andar – aptº 171, no bairro de São Félix, zona
Sul de São Paulo.
Conforme
relato do morador do apartamento citado acima, o médico Sandro Apolinário
, após um plantão intenso no feriado de 21 de abril, no PS do HC e em
mais dois hospitais da rede pública de São Paulo, acordou atrasado para mais um dia de
trabalho. Entre a correria de preparar o
café e fazer a barba, ouviu o toque da
campainha e correu para atender a porta,
pensando se tratar de uma emergência. Quando abriu a porta, percebeu um vulto
que correu para a escada e a sua frente,
estava uma mulher loira, com vestido vermelho e sapatos de salto,
deitada de bruços. Ele abaixou-se para ver se estava tudo bem e ao tocar no
corpo da mulher, percebeu que ela estava gelada. Ele tentou então, ouvir os
batimentos cardíacos, mas percebeu que já era tarde, pois a mesma estava morta.
Nesse momento ele ouviu alguém bater a
porta. Calmamente então, ele entrou em
seu apartamento e resolveu chamar a polícia. Ligou para o 190 e ficou por cerca
de 10 minutos aguardando ser atendido e foi orientado para chamar o Samu
através do 192, mas ele informou que já era tarde, pois a mulher estava morta.
O investigador Sampaio e o delegado
Plínio do 43º DP, que estão cuidando do
caso, começaram na manhã de hoje, o interrogatório que assim se sucede:
-Delegado: Dr. Sandro, a que horas o fato
ocorreu?
- Sandro: Bem delegado, eu estava
atrasado para o plantão, depois de um final de semana de muito trabalho e, como
de costume todas as manhãs, após colocar o café para ser feito em minha
cafeteira, enquanto faço a barba e tomo meu banho, apanho o jornal deixado em
minha porta e com uma rápida leitura das notícias durante o café, dou uma
pequena relaxada. Porém, ontem à noite,
quando cheguei, avisei para o porteiro que deixasse na portaria o meu jornal e,
diante desse fato, achei estranho a campainha ser tocada logo de manhã. Então
pensei que fosse meu vizinho que precisasse de ajuda e corri para atender a
porta.
- Delegado: Mas, o seu vizinho
está doente?
- Sandro: Que eu saiba não? Mas o
senhor sabe, né... um velho que mora sozinho e sempre têm visitas de
mulheres diferentes em seu apartamento,
principalmente em feriados e finais de semana... é um entra e sai constante...
Nunca se sabe, não é???
-Delegado: Então o Senhor acha
que quem matou a mulher foi o seu vizinho???
-Sandro: Eu não acho nada, senhor
delegado! O fato é que no apartamento dele sempre há uma movimentação de
pessoas que não moram no prédio... Rola até umas “festinhas” de madrugada, mas
nunca participei de nenhuma delas não senhor.
-Delegado: Então estava tendo uma
festa no apartamento ao lado?
- Sandro: Não, eu não disse isso!
Eu disse que ouvi o barulho da campainha e achei estranho, por isso fui
atender. Só isso!
- Delegado: Mas o senhor disse
que o vizinho costuma dar festinhas? O senhor não viu mais ninguém estranho
circulando por ali na hora que tocaram a campainha?
- Sandro: Vi um vulto de um homem
que correu para as escadas, mas como pensei que se tratasse de um ladrão, olhei
para o outro lado e então vi o corpo da
mulher estendido no chão.
- Delegado: E ninguém mais apareceu? O Senhor não ouviu
nenhum outro barulho?
- Sandro: Ah! Ia me esquecendo...
eu percebi que na hora em que me abaixei para socorrer a mulher, alguém bateu a
porta para fechá-la com força.
- Delegado: Então o senhor
confessa que tinha mais alguém no corredor? Não é mesmo?
- Sandro: Eu não disse isso. Eu
ouvi o barulho de uma porta se fechando mas, não vi ninguém, não posso afirmar
nada.
- Delegado: O senhor não acha que
está muito calmo para um caso desses, Doutor?
- Sandro: Delegado, eu estou
acostumado a ver casos muito mais bizarros no PS dos hospitais que eu atendo,
por isso o senhor acha que eu estaria nervoso, por qual motivo? Eu não tenho
nada a ver com isso! Nem conheço a vítima! Nem falo com meu vizinho!!!!
- Delegado: Mas o senhor disse
que viu alguém no corredor? Não foi?
- Sandro: Vi o vulto de alguém que estava correndo
assustado talvez? Ouvi o barulho de uma porta que se fechou bruscamente... mas, nem por isso eu iria deixar de atender os fatos, já que
pelo que constatei, a mulher sofreu uma parada cardíaca e não teve tempo de ser
socorrida, por isso foi abandonada ali no corredor, em frente a minha porta.
- Delegado: E como o senhor sabe
que a vítima sofreu uma parada cardíaca, se ela estava deitada de bruços
enfrente ao seu apartamento?
- Sandro: Delegado, eu sou médico
de PS e estou acostumado a ver pessoas que sofrem parada cardíaca. É elementar,
basta o senhor olhar para as unhas e para os lábios dela e verá que estão
cianóticos, isso denota uma morte súbita por parada cardíaca.
- Delegado: Eu julgava que ela
estivesse com a boca e as unhas pintadas, porque hoje em dia as mulheres usam
maquiagem de todas as cores... , principalmente as loiras que gostam de
maquiagens inovadoras! Então não é pintura? Não é esmalte azul???
- Sandro: Delegado, eu não
entendo de maquiagem! Agora, posso ir para casa
terminar de fazer a barba, tomar o meu banho e fazer o meu desjejum,
acompanhado da leitura do meu jornal? Estou dispensado?
- Delegado: Só mais uma coisinha Doutor: O
senhor atende pelo convênio do Iamspe? Sabe, eu preciso fazer um chek up, pois
como o senhor sabe né, essa vida corrida, trabalhando muitas horas, até de
madrugada, nunca se sabe o que vai acontecer, não é mesmo? Ainda mais, que nas
clínicas conveniadas existe um número de cotas para ser atendido, sabe?
- Sandro: Passa lá no P S do HC
que eu vejo um jeitinho de encaixar o Senhor para uma consultinha, porque o
Servidor está em greve e eu não sei quando vão voltar ao normal e nas clínicas
conveniadas... pagam muito pouco , por isso eu não estou atendendo mais.







