sexta-feira, 27 de abril de 2012




Depoimento de Leitura e Escrita produzido  no módulo 2 do curso "Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade - Leitura e Escrita em Contexto Digital, que me fizeram remexer o baú de felicidades que foi a minha infância e adolescência e, que continua sendo ainda hoje e o será por toda a minha eternidade, pois acredito que mesmo que haja outras vidas, nunca apagamos da nossa alma o que fica gravado  em nossa  memória. Bendita seja ela!



“...Ah! os santos e benditos caderninhos, quantos eu tive em toda a minha vida... Escrevia poesias, poemas, cartas a mim mesma, pequenos contos... Minha imaginação corria solta pelas linhas do caderninho de cabeceira. Eu tinha por costume toda noite, antes de dormir, escrever alguma coisa. Sempre fui muito romântica e qualquer coisa diferente fertilizava a minha imaginação... é uma pena que eu queimei todos os meus escritos, pois ficava receosa de alguém ler e me criticar. Uma vez peguei minha mãe lendo meus cadernos (estavam escondidos debaixo do meu colchão e no fundo da gaveta de lençóis e mesmo assim ela achou, que raiva....) e então eu fiquei muito brava com ela e acabei por queimá-los. Hoje, escrevo pouco e leio muito, talvez seja algum recalque que ficou no meu inconsciente ainda, sei lá... mas admiro muito as pessoas que anotam tudo... concordo plenamente que os livros promovem a reflexão, autonomia e a sensação de pertencimento ao mundo letrado. Também agradeço muito à Deus e aos meus pais e familiares que me incentivaram sempre a estudar, pois eles sempre afirmavam, que o letramento, a sabedoria, o conhecimento e estudo, enfim, são os tesouros mais preciosos, que ladrão algum possa nos roubar, mesmo que roubem a nossa vida...

“...A   Monica,  colega cursista e membro do meu grupo de trabalhos, fez com que eu viajasse no tempo para a minha querida infância quando falou sobre as “canetinhas sylvapen”... Meu querido e amado pai sempre me comprava (com muito sacrifício, pois a vida era muito dura para nós) um estojinho, caderno de desenho, caligrafia e linguagem, lápis, caneta tinteiro, esferográfica, lápis de cor, giz de cera, giz(branco e colorido) e apagador e, as famosas canetinhas sylvapen, para as minhas férias... quanta saudade! As minhas coleguinhas e meus primos vinham passar as férias na minha casa (sempre morei na roça e continuo na mesma casa, que ainda é uma chácara) e nós fazíamos uma verdadeira escolinha (parecida com a do Prof. Raimundo). Tínhamos até uma lousa que meu pai havia feito para mim. Aprendíamos e ensinávamos também. Nos reuníamos até para ensinar as crianças da olaria, próxima à minha casa... Como era saudável, pois meu avô paterno, que era um ex-padre italiano, adorava nos ensinar também. Meu avô materno, sentava na taipa do fogão à lenha e ficava contando para os netos, histórias de Pedro Malazartes, saci pererê, caipora, lobisomem, etc... Minha mãe e meu pai só tinham o ensino primário, mas eram muito "letrados"; estavam sempre lendo jornais, revistas (cruzeiro e manchete, fatos e fotos, etc ...) e liam todas as reportagens, estavam sempre lendo alguma coisa e isso fazia com que nós nos estimulássemos a ler porque eles não queriam receber reclamações da professora quando voltássemos às aulas. Sabe, meu pai comprava canetinhas sylvapen para ele também, pois à noite, após o jantar, ele desenhava e escrevia (fazia umas historinhas em quadrinhos para meu irmão e para mim, as quais sempre tinham continuidade no dia seguinte...); minha mãe costumava ler antes de dormirmos. Meu pai contava uma historinha toda noite antes de dormirmos e fazia perguntas para ver se havíamos entendido. É lógico que sempre usavam histórias de cunho moral ou fábulas. Era muito bom! Pena que agora eu não posso mais ouvir suas histórias e nem ler seus quadrinhos...

“... O Marcelo, nosso tutor do curso Leitura e Escrita, através de seu depoimento, também me fez voltar há alguns anos atrás e me provocou emoções, pois sou readaptada e fiquei trabalhando por cerca de oito anos na biblioteca da escola e, por incrível que pareça, comigo aconteceu o mesmo que ele relatou, porque eu tive que reorganizar o espaço e classificar todos os livros, que há muito estavam abandonados em caixotes e pelos cantos e, como eu estava sempre em contato com os alunos, quando ainda lecionava, eles não se desgarraram de mim, muito pelo contrário, foram para a biblioteca, com o intuito de fugirem das aulas que não gostavam e usavam da desculpa que queriam ajudar a organizar os livros e então, aqueles que eram mais "terríveis" em sala de aula, adoravam a idéia de dar uma escapadinha das aulas e se esconder na biblioteca e eu, para aproveitar do ensejo, introduzia a leitura na vida deles, e dessa forma eles começaram a tomar gosto pela boa literatura, claro que começaram por livros de poucas páginas escritas e muitos desenhos ou fotos e à medida que foram se acostumando (talvez por "osmose" que eu causava a eles), começaram a levar emprestado para casa os livros de literatura clássica. Assim, de forma um pouco de "pressão por leitura, da minha parte em relação a eles", começaram  a ter gosto pelos livros, pela pesquisa e pela arte, porque viram que podiam se expressar melhor e mostrar o verdadeiro valor deles para os demais. Com isso, começaram a criar pequenos textos com ilustrações,  para o mural da escola, depois vieram as peças teatrais e por fim, alguns se interessaram tanto pelas "letras", que começaram a fazer teatro (como você, Marcelo, e sua amiga). Hoje, alguns deles são artistas amadores de teatro (mais por hobby do que por profissão) nas horas de folga de seus trabalhos... A biblioteca da escola é um espaço riquíssimo para se explorar o que há de melhor nos alunos. Dá trabalho colocar na cabecinha deles que ler é bom.... claro que dá, mas sem o esforço da busca, não haverá a alegria da recompensa do encontro! Vejo o trabalho da sala de leitura da minha escola hoje, que por sinal conta com duas excelentes professoras, que não são de português, mas sim de geografia e artes e que com muito esforço, dedicação, paciência e carinho, procuram estimular os alunos a lerem e a desenvolverem projetos dentro da U.E.  e também estimulam muito os mesmos a fazerem peças teatrais para apresentarem aos coleguinhas de escola. Isso é muito gratificante, porque vemos que o trabalho que começamos um dia, continua sendo elaborado, com o mesmo empenho e dedicação.



Maria Antonia

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