Numa manhã de outono, após acordar e
iniciar seu ritual de preparação para mais um dia de muito trabalho e
compromissos, Augusta foi interrompida pelo toque da campainha, enxugou rapidamente
seu rosto e, correndo, foi atender a porta. Nem imaginava que estava tendo
início uma manhã tumultuada como nunca antes tinha vivido e, num piscar de
olhos, se viu diante de um delegado de polícia tendo que responder a uma série
de perguntas...
Sexta-feira, 20 de abril de 2012, 8 horas da
manhã. Augusta Pereira, funcionária de uma loja de departamentos, 46 anos,
residente a rua Getúlio Vargas nº 100.
Distrito Policial da cidade de Paraibuna.
Tem início um confuso interrogatório:
Delegado: Senhora Augusta, bom dia. Estamos
diante de uma situação inusitada em nossa pacata cidade e precisamos de
esclarecimentos. O que a senhora tem a
relatar sobre o cadáver encontrado em sua porta pela manhã de hoje?
Augusta: Senhor Delegado. Estava eu em
minha residência e, quando abri a porta,
deparei-me com um corpo e é só.
Delegado: Isso eu já sei. A senhora necessita
melhor relatar os fatos, afinal não é todo dia que encontramos em nossa porta
um cadáver. Além de identificarmos o corpo, precisamos conhecer o autor do
crime? Já lhe passou pela cabeça que podemos pensar que a senhora tem algo
relacionado a isso tudo?
Augusta: Pelo amor de Deus delegado, eu
jamais seria capaz de matar alguém! Eu o encontrei em minha porta pela manhã e
ainda toquei no homem achando que teria sido ele quem apertou minha campainha!
Pensei que estivesse passando mal, desmaiado, sei lá! Acordei preocupada com os
mil compromissos do meu dia e agora tenho que ficar aqui, não imagino até que
horas, dando conta da vida desse defunto! É o fim!
Delegado: Preste atenção minha senhora:
diante dos fatos, fique preocupada somente em nos esclarecer o que sabe.
Sente-se nesta cadeira e inicie seu depoimento, caso contrário não irá tão cedo
dar conta de cumprir com seus compromissos! Colabore com a investigação e
relate o que sabe sobre o acontecido!
Augusta: Está bem....Acordei, como de
costume bem cedo, iniciei minha higiene matinal e fui atender a porta porque
alguém tocou a campainha. Foi quando vi um homem caído. Chamei por ele e não
respondeu. Olhei ao redor para tentar encontrar alguém que o acompanhasse e
nada vi. Por isso achei melhor tocá-lo para tentar saber o que queria e senti
que estava frio, sem vida. Assustei-me e
corri para dentro. Telefonei para a polícia e, desesperada, disse que tinha um
cadáver na minha porta. Após uma eternidade, chegou a viatura e agora estou aqui.
Delegado: Muito bem senhora Augusta,
conseguimos evoluir. Agora me responda: Conhece esse homem? Sabe de quem se
trata? Por que estava em sua porta?
Augusta: Nunca o vi delegado! Longe de
mim! Por acaso o Senhor suspeita que tenho alguma coisa com esse homem?
Delegado: Quando se tem um cadáver, uma
testemunha impaciente e pouco a se dizer sobre o ocorrido, qualquer pessoa pode
ser suspeita, não acha?
Augusta: Eu estou impaciente pelo fato de
ter um dia atípico e muito o que fazer, só isso! Declaro não conhecê-lo e pode
acreditar que o que digo é a mais pura verdade. Perdoe-me delegado. Nunca vivi
situação tão difícil. Pode contar comigo para o que precisar. Estou me
acalmando e começo a pensar que, além de
alguém ter perdido a vida, há familiares que receberão uma notícia desagradável
no dia de hoje. Não gostaria que tal tragédia acontecesse comigo.
Delegado: Pois bem, pelo que já temos
conhecimento, o homem encontrado em sua porta chama-se Raimundo de Souza e
possuía em um de seus bolsos uma foto da senhora.Tem algo a nos dizer agora?
Augusta: Meu Deus! Como uma pessoa que
nunca vi antes estaria com uma foto minha? Só pode estar havendo um engano!
Delegado: Tomara mesmo que seja um engano,
caso contrário a senhora perderá muitos outros dias cheios de compromissos para
que nossa investigação seja finalizada com sucesso.
Augusta: Posso ver a foto delegado?
Delegado: Claro que sim. Está aqui. E
então?
Augusta: Senhor....mas esta não sou eu! A
pessoa da foto é morena, magra e usa aparelhos nos dentes. Olha só o sorriso
dela! É evidente que não sou eu!
Delegado: Senhora Augusta: esta foto deve
ter uns 15 anos. Após uma determinada idade, as mulheres engordam, ficam loiras
e, quanto ao aparelho ortodôntico, todo mundo sabe que não é utilizado por toda
a vida. Estamos investigando e a senhora não deve ausentar-se da cidade
enquanto não forem esclarecidos os fatos. Caso não se dê por satisfeita, posso
detê-la e passará uns bons dias em uma das celas desta Delegacia. Algo mais a
dizer?
Augusta: Só posso dizer que ser chamada de
gorda é demais!
Baseando-se em uma sequência de eventos, nosso grupo teve que produzir individualmente, um interrogatório que acontece momentos após a uma situação inusitada. O curso de "Leitura e Escrita em Contexto Digital" tem oportunizado conhecer vários caminhos para que divulguemos nossos pensamentos e também aprimoremos nossas habilidades. Agradeço aos membros do meu grupo e aguardo suas publicações. Até breve.
ResponderExcluirAchei muito bom o seu texto de interrogação policial. Você é bastante criativa. Também concordo contigo quando reclama do delegado chamar a Senhora Augusta de gorda... Ora, gorda é a progenitora dele ao passar dos anos, ... e não a senhora Augusta. Coitada, imagine só, ela toda preocupada com o fato inusitado à sua porta e o delegado tentando compará-la com a mulher da foto? (rsrsrs...) Gostei muito do texto, espero que a Jurema também goste. Maria Antonia
ResponderExcluir