sexta-feira, 27 de abril de 2012



INTERROGATÓRIO SOBRE O CASO DA AVENIDA ATLÂNTIDA – ZONA SUL /SP


O fato ocorreu na madrugada de 22 de abril de 2012, no Edifício São Gotardo, localizado na Avenida Atlântida, nº 512 – 17º andar – aptº 171, no bairro de São Félix, zona Sul de São Paulo.

Conforme relato do morador do apartamento citado acima, o médico Sandro Apolinário ,    após um plantão intenso  no feriado de 21 de abril, no PS do HC e em mais dois hospitais da rede pública de São Paulo,  acordou atrasado para mais um dia de trabalho. Entre  a correria de preparar o café e fazer a barba,  ouviu o toque da campainha e  correu para atender a porta, pensando se tratar de uma emergência. Quando abriu a porta, percebeu um vulto que correu para a escada e a sua frente,  estava uma mulher loira, com vestido vermelho e sapatos de salto, deitada de bruços. Ele abaixou-se para ver se estava tudo bem e ao tocar no corpo da mulher, percebeu que ela estava gelada. Ele tentou então, ouvir os batimentos cardíacos, mas percebeu que já era tarde, pois a mesma estava morta. Nesse momento ele ouviu alguém  bater a porta.  Calmamente então, ele entrou em seu apartamento e resolveu chamar a polícia. Ligou para o 190 e ficou por cerca de 10 minutos aguardando ser atendido e foi orientado para chamar o Samu através do 192, mas ele informou que já era tarde, pois a mulher estava morta. O investigador Sampaio  e o delegado Plínio do 43º  DP, que estão cuidando do caso, começaram na manhã de hoje, o interrogatório que assim se sucede:

 -Delegado: Dr. Sandro, a que horas o fato ocorreu?

- Sandro: Bem delegado, eu estava atrasado para o plantão, depois de um final de semana de muito trabalho e, como de costume todas as manhãs, após colocar o café para ser feito em minha cafeteira, enquanto faço a barba e tomo meu banho, apanho o jornal deixado em minha porta e com uma rápida leitura das notícias durante o café, dou uma pequena relaxada.   Porém, ontem à noite, quando cheguei, avisei para o porteiro que deixasse na portaria o meu jornal e, diante desse fato, achei estranho a campainha ser tocada logo de manhã. Então pensei que fosse meu vizinho que precisasse de ajuda e corri para atender a porta.

- Delegado: Mas, o seu vizinho está doente?

- Sandro: Que eu saiba não? Mas o senhor sabe, né... um velho que mora sozinho e sempre têm visitas de mulheres  diferentes em seu apartamento, principalmente em feriados e finais de semana... é um entra e sai constante... Nunca se sabe, não é???

-Delegado: Então o Senhor acha que quem matou a mulher foi o seu vizinho???

-Sandro: Eu não acho nada, senhor delegado! O fato é que no apartamento dele sempre há uma movimentação de pessoas que não moram no prédio... Rola até umas “festinhas” de madrugada, mas nunca participei de nenhuma delas não senhor.

-Delegado: Então estava tendo uma festa no apartamento ao lado?

- Sandro: Não, eu não disse isso! Eu disse que ouvi o barulho da campainha e achei estranho, por isso fui atender. Só isso!

- Delegado: Mas o senhor disse que o vizinho costuma dar festinhas? O senhor não viu mais ninguém estranho circulando por ali na hora que tocaram a campainha?

- Sandro: Vi um vulto de um homem que correu para as escadas, mas como pensei que se tratasse de um ladrão, olhei para o outro lado e então vi o  corpo da mulher estendido no chão.

- Delegado:  E ninguém mais apareceu? O Senhor não ouviu nenhum outro barulho?

- Sandro: Ah! Ia me esquecendo... eu percebi que na hora em que me abaixei para socorrer a mulher, alguém bateu a porta para fechá-la com força.

- Delegado: Então o senhor confessa que tinha mais alguém no corredor? Não é mesmo?

- Sandro: Eu não disse isso. Eu ouvi o barulho de uma porta se fechando mas, não vi ninguém, não posso afirmar nada.

- Delegado: O senhor não acha que está muito calmo para um caso desses, Doutor?

- Sandro: Delegado, eu estou acostumado a ver casos muito mais bizarros no PS dos hospitais que eu atendo, por isso o senhor acha que eu estaria nervoso, por qual motivo? Eu não tenho nada a ver com isso! Nem conheço a vítima! Nem falo com meu vizinho!!!!

- Delegado: Mas o senhor disse que viu alguém no corredor? Não foi?

- Sandro:  Vi o vulto de alguém que estava correndo assustado talvez? Ouvi o barulho de uma porta que se fechou  bruscamente... mas, nem por isso  eu iria deixar de atender os fatos, já que pelo que constatei, a mulher sofreu uma parada cardíaca e não teve tempo de ser socorrida, por isso foi abandonada ali no corredor, em frente a minha porta.

- Delegado: E como o senhor sabe que a vítima sofreu uma parada cardíaca, se ela estava deitada de bruços enfrente ao seu apartamento?

- Sandro: Delegado, eu sou médico de PS e estou acostumado a ver pessoas que sofrem parada cardíaca. É elementar, basta o senhor olhar para as unhas e para os lábios dela e verá que estão cianóticos, isso denota uma morte súbita por parada cardíaca.

- Delegado: Eu julgava que ela estivesse com a boca e as unhas pintadas, porque hoje em dia as mulheres usam maquiagem de todas as cores... , principalmente as loiras que gostam de maquiagens inovadoras! Então não é pintura? Não é esmalte azul???

- Sandro: Delegado, eu não entendo de maquiagem! Agora, posso ir para casa  terminar de fazer a barba, tomar o meu banho e fazer o meu desjejum, acompanhado da leitura do meu jornal? Estou dispensado?

-  Delegado: Só mais uma coisinha Doutor: O senhor atende pelo convênio do Iamspe? Sabe, eu preciso fazer um chek up, pois como o senhor sabe né, essa vida corrida, trabalhando muitas horas, até de madrugada, nunca se sabe o que vai acontecer, não é mesmo? Ainda mais, que nas clínicas conveniadas existe um número de cotas para ser atendido, sabe?

- Sandro: Passa lá no P S do HC que eu vejo um jeitinho de encaixar o Senhor para uma consultinha, porque o Servidor está em greve e eu não sei quando vão voltar ao normal e nas clínicas conveniadas... pagam muito pouco , por isso eu não estou atendendo mais.

 Maria Antonia

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