quarta-feira, 25 de abril de 2012

Atividade do módulo 3 - Interrogatório


     Numa manhã de outono, após acordar e iniciar seu ritual de preparação para mais um dia de muito trabalho e compromissos, Augusta foi interrompida pelo toque da campainha, enxugou rapidamente seu rosto e, correndo, foi atender a porta. Nem imaginava que estava tendo início uma manhã tumultuada como nunca antes tinha vivido e, num piscar de olhos, se viu diante de um delegado de polícia tendo que responder a uma série de perguntas...
     Sexta-feira, 20 de abril de 2012, 8 horas da manhã. Augusta Pereira, funcionária de uma loja de departamentos, 46 anos, residente a rua Getúlio Vargas nº 100.
     Distrito Policial da cidade de Paraibuna. Tem início um confuso interrogatório:

     Delegado: Senhora Augusta, bom dia. Estamos diante de uma situação inusitada em nossa pacata cidade e precisamos de esclarecimentos. O que a senhora  tem a relatar sobre o cadáver encontrado em sua porta pela manhã de hoje?
     Augusta: Senhor Delegado. Estava eu em minha residência e, quando abri a porta,  deparei-me com um corpo e é só.
     Delegado: Isso eu já sei. A senhora necessita melhor relatar os fatos, afinal não é todo dia que encontramos em nossa porta um cadáver. Além de identificarmos o corpo, precisamos conhecer o autor do crime? Já lhe passou pela cabeça que podemos pensar que a senhora tem algo relacionado a isso tudo?
     Augusta: Pelo amor de Deus delegado, eu jamais seria capaz de matar alguém! Eu o encontrei em minha porta pela manhã e ainda toquei no homem achando que teria sido ele quem apertou minha campainha! Pensei que estivesse passando mal, desmaiado, sei lá! Acordei preocupada com os mil compromissos do meu dia e agora tenho que ficar aqui, não imagino até que horas, dando conta da vida desse defunto! É o fim!
     Delegado: Preste atenção minha senhora: diante dos fatos, fique preocupada somente em nos esclarecer o que sabe. Sente-se nesta cadeira e inicie seu depoimento, caso contrário não irá tão cedo dar conta de cumprir com seus compromissos! Colabore com a investigação e relate o que sabe sobre o acontecido!
     Augusta: Está bem....Acordei, como de costume bem cedo, iniciei minha higiene matinal e fui atender a porta porque alguém tocou a campainha. Foi quando vi um homem caído. Chamei por ele e não respondeu. Olhei ao redor para tentar encontrar alguém que o acompanhasse e nada vi. Por isso achei melhor tocá-lo para tentar saber o que queria e senti que estava frio, sem vida.  Assustei-me e corri para dentro. Telefonei para a polícia e, desesperada, disse que tinha um cadáver na minha porta. Após uma eternidade, chegou a viatura e agora estou  aqui.
     Delegado: Muito bem senhora Augusta, conseguimos evoluir. Agora me responda: Conhece esse homem? Sabe de quem se trata? Por que estava em sua porta?
     Augusta: Nunca o vi delegado! Longe de mim! Por acaso o Senhor suspeita que tenho alguma coisa com esse homem?
     Delegado: Quando se tem um cadáver, uma testemunha impaciente e pouco a se dizer sobre o ocorrido, qualquer pessoa pode ser suspeita, não acha?

     Augusta: Eu estou impaciente pelo fato de ter um dia atípico e muito o que fazer, só isso! Declaro não conhecê-lo e pode acreditar que o que digo é a mais pura verdade. Perdoe-me delegado. Nunca vivi situação tão difícil. Pode contar comigo para o que precisar. Estou me acalmando e começo a  pensar que, além de alguém ter perdido a vida, há familiares que receberão uma notícia desagradável no dia de hoje. Não gostaria que tal tragédia acontecesse comigo.
     Delegado: Pois bem, pelo que já temos conhecimento, o homem encontrado em sua porta chama-se Raimundo de Souza e possuía em um de seus bolsos uma foto da senhora.Tem algo a nos dizer agora?
     Augusta: Meu Deus! Como uma pessoa que nunca vi antes estaria com uma foto minha? Só pode estar havendo um engano!
     Delegado: Tomara mesmo que seja um engano, caso contrário a senhora perderá muitos outros dias cheios de compromissos para que nossa investigação seja finalizada com sucesso.
     Augusta: Posso ver a foto delegado?
     Delegado: Claro que sim. Está aqui. E então?
     Augusta: Senhor....mas esta não sou eu! A pessoa da foto é morena, magra e usa aparelhos nos dentes. Olha só o sorriso dela! É evidente que não sou eu!
     Delegado: Senhora Augusta: esta foto deve ter uns 15 anos. Após uma determinada idade, as mulheres engordam, ficam loiras e, quanto ao aparelho ortodôntico, todo mundo sabe que não é utilizado por toda a vida. Estamos investigando e a senhora não deve ausentar-se da cidade enquanto não forem esclarecidos os fatos. Caso não se dê por satisfeita, posso detê-la e passará uns bons dias em uma das celas desta Delegacia. Algo mais a dizer?
     Augusta: Só posso dizer que ser chamada de gorda é demais!

2 comentários:

  1. Baseando-se em uma sequência de eventos, nosso grupo teve que produzir individualmente, um interrogatório que acontece momentos após a uma situação inusitada. O curso de "Leitura e Escrita em Contexto Digital" tem oportunizado conhecer vários caminhos para que divulguemos nossos pensamentos e também aprimoremos nossas habilidades. Agradeço aos membros do meu grupo e aguardo suas publicações. Até breve.

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  2. Achei muito bom o seu texto de interrogação policial. Você é bastante criativa. Também concordo contigo quando reclama do delegado chamar a Senhora Augusta de gorda... Ora, gorda é a progenitora dele ao passar dos anos, ... e não a senhora Augusta. Coitada, imagine só, ela toda preocupada com o fato inusitado à sua porta e o delegado tentando compará-la com a mulher da foto? (rsrsrs...) Gostei muito do texto, espero que a Jurema também goste. Maria Antonia

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